Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

TESTAMENTO DE UM CÃO

 

 

Minhas posses materiais são poucas e eu deixo tudo para ti...

Uma coleira mastigada numa das extremidades, faltando dois botões, uma desajeitada cama de cachorro e uma vasilha de água que se encontra rachada na borda.

Deixo para ti a metade de uma bola de borracha, uma boneca rasgada que vais encontrar debaixo do frigorífico, um ratinho de borracha sem apito que está debaixo do fogão da cozinha e uma porção de ossos enterrados no canteiro de rosas e sob o soalho da minha casinha.
Além disso, eu deixo-te a memória, que aliás são muitas.

Deixo a memória de dois enormes e meigos olhos cor de mel, de um nariz molhado e de choradeiras atrás da porta.

Deixo uma mancha no tapete da sala de estar junto à janela, quando nas tardes de Inverno eu me apropriava daquele lugar, como se fosse meu, e me enrolava feita uma bolinha para pegar um pouco de sol.

Deixo um tapete esfarrapado em frente da tua cadeira preferida, o qual nunca foi consertado com o tipo de linha certo....isso é verdade.
Eu o mastiguei , quando ainda tinha cinco meses de idade, lembras-te?

Também deixo as memórias da primeira surra que levei quando comi o teu telemóvel e também todo o meu esquecimento...

Deixo um esconderijo que fiz no jardim debaixo dos arbustos perto da varanda da frente, onde eu costumava me esconder do sol nos dias de verão. Ele deve estar cheio de folhas agora e por isso talvez tenhas dificuldade em encontrá-lo.
Sinto muito!

Deixo também o barulho que eu fazia ao sair correndo sobre as folhas de Abril, quando pelo passeávamos pelo campo.

Deixo ainda, a lembrança dos momentos pelas manhãs, quando saíamos junto pela margem das lagoas e me davas aqueles biscoitos que eu gostava tanto.
Recordo-me das tuas risadas, porque eu não consegui alcançar aquele coelho impertinente.

Deixo-te como herança a minha lealdade, a minha simpatia, o meu apoio quando as coisas não andavam bem, os meus latidos quando tu levantavas a voz aborrecido... e minha frustração por teres ralhado comigo todas as vezes que eu colocava o nariz debaixo da cauda.

Eu nunca fui à igreja, nunca escutei um sermão, e sem ter dito sequer uma palavra na minha vida, deixo-te lições de paciência, de tolerância, de amor e compreensão.
A tua vida tem sido mais rica porque eu vivi.

Frank Reinshstein

 

publicado por saozinhasimoes às 21:00

link do post | comentar | favorito

.TRADUÇÃO

.posts recentes

. O TRAPACEIRO

. FELIZ ANO NOVO

. FELIZ NATAL

. UMA BOA SEMANA

. SENTIDO DA VIDA

. A JOIA PERDIDA

. OS DEZ MANDAMENTOS DA QUA...

. A QUEM PERTENCE...

. NUMA NOITE

. RESSUSCITOU! ALELUIA!

.arquivos

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Abril 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.links

.GEOCLOCK


contador gratis

.contador


Contador Grátis